Lula se joga na sarjeta
Zenilton Bezerra
É
uma pena, mas é verdade. Em um ano e quatro meses de governo,
Lula conseguiu jogar na sarjeta a própria imagem que arduamente,
durante anos a fio, construiu como operário, líder
sindical, esperança de vida nova para o brasileiro e diferencial
na arena internacional.
O governo dele, já é por demais sabido,
é um fracasso em todos os sentidos. Até hoje ele não
cumpriu uma só das promessas feitas durante a campanha política
de 2002, está literalmente destroçando o que foi montado
e vinha funcionando satisfatoriamente só porque é
obra de governos anteriores, e mente descaradamente ao propagar
em anúncios pagos pelos contribuintes que o governo dele
conseguiu acabar com a dengue, por exemplo.
Internacionalmente, a imagem de Lula ficou embaçada
pela reportagem do The New York Times, de que ele exagera nos copos.
Não é nenhuma novidade que em seus churrascos Lula
não abre mão de uma ou outra dose de ‘pinga’
e de cerveja. Coisa aliás natural. O problema é que
nos círculos sociais e políticos de Brasília
comenta-se abertamente que nos últimos meses, sobretudo depois
do advento do Caso Valdomiro, Sua Excelência tem recorrido
cada vez mais e frequentemente às doses de uisque para aliviar
a tensão.
Por mais que o Palácio do Planalto negue de
joelhos e mãos postas, não há mais quem tire
a dúvida internacional sobre a sóbria capacidade de
Lula para governar. Verdade ou não, o estrago está
feito e não tem mais concerto. Pior para o Brasil e seu povo.
Estes, sim, é que estão pagando o pato pela falta
de sobriedade e competência de Lula e do PT. Note-se que após
a publicação da reportagem do jornal americano, ninguém
do governo, do Congresso, da imprensa e até das rodas de
amigos, desmentiu o jornal.
O que houve foi tão somente uma reação
irada contra a reportagem, e a nota oficial assinada pelo porta-voz
do governo, André Singer, é enfática quando
diz que o correspondente do jornal “simplesmente in-ventou
uma suposta ‘preocupação nacional’ com
hábitos do presidente da república”.
A rigor, não há nenhuma “preocupação
nacional” com o fato de Lula estar ou não exagerando
nos copos. O ex-presidente russo Boris Yeltsin fazia pior, inclusive
sem dar a mínima importância de estar sendo filmado
pela TV: literalmente grogue, bulinava com as mulheres durante as
recepções oficiais em pleno palácio. Nem por
isso foi alçado do poder.
A “preocupação nacional”
e mundial que existe é com o fato de Lula não estar
governando, e estar mentindo. A revista The Economist, em uma reportagem
intitulada “Duvidando de Lula”, afirma em sua edição
do final de abril que os “mercados financeiros perderam um
pouco de sua confiança no presidente brasileiro”.
O episódio do aumento de apenas R$ 40 no salário
mínimo brasileiro, que passou para R$ 260, foi o cúmulo.
A coisa foi tão escandalosa que Lula e ministros andaram
se escondendo do povo. Aliás, é bom relembrar duas
declarações de Lula ditas em anos anteriores:
1. Quando candidato, em 1998: “O mínimo
hoje deveria ser de R$ 1.100. Os que recebem salário mínimo
neste país deveriam receber pedidos de desculpas” .
2. Em novembro de 2000 na Caros Amigos, revista ligada
ao PT: “Se eu ganhasse a presidência para fazer o mesmo
que Fernando Henrique está fazendo, preferiria que Deus me
tirasse a vida antes, para não passar vergonha”.
Como Deus preferiu mantê-lo vivo, Lula está
passando por vexames vergonhosos. O caso mais notório foi
o da comerciante paraense Maria do Socorro Moura de Oliveira Gabriel
(foto). Ela foi retirada da platéia que acompanhava o discurso
de Lula na abertura do Agrishow, em Ribeirão Preto, depois
de chamá-lo, aos gritos, de “traidor”. Ela perdeu
as esperanças de que Lula faça um bom governo: “Ele
continua fazendo discurso de campanha para presidente; se eu pudesse,
dava um tabefe nele”.
Reação natural de quem se sente traído.
E o artigo que estamos publicando abaixo, foi escrito por um estudante
de apenas 16 anos de idade, mas dá bem uma mostra de como
a coisa está ficando pretíssima no Brasil. Vale a
pena ler
The Brazilian Post.
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